A Casa

Monday, March 31, 2008

O Sul e o Norte

A divisão de quartos cessou.

O encontro diário e rotineiro tornou-se eventual e espaçado. Os laços são os mesmos, porém maiores para comportar duas casas. Dizem que a saudade aumenta a amizade, os bons sentimentos.... (a Vivian que o diga!).

Não há mais mensagens de "Posso entrar no quarto?" ou combinação de quem vai dormir aonde quando os casais se encontram.

As brigas diminuíram, as pizzas também.

De um lado a floresta ou refloresta (que diminuiu em quantidade e tamanho) do outro o mar (que está crescendo lentamente).

Há muito espaço agora... que isso seja apenas físico.

Era uma casa muito engraçada... agora são duas.
Mas o lar é dos valetes... os mesmos.

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Thursday, June 21, 2007

aniversário do Juca

Foi a manhã de domingo mais fracassada da história das manhãs de domingo. O plano era um churrasco no Barigüi, em comemoração às dezenas de primaveras do valete ranzinza. O resultado foi um passeio pelo Portão no carro novo da Sici, entulhado de carne, bacias, pratos e essas coisas que se usa em churrascos improvisados. Passeio que terminou num telefonema desolado do Juca, avisando que havia chegado com 10 segundos de atraso à última churrasqueira disponível do Barigüi. Mas quem precisa de parque quando se tem uma ampla vista da natureza no próprio quintal? No fim das contas, foi uma tarde divertida. E, se não tinha o jacaré do Barigüi, o Cão véio de guerra se encarregou de fazer as honras.

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"Morte Sangrenta"















É isso que acontece quando o Vini resolve cozinhar...

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Tuesday, April 18, 2006

sabedoria capixaba

"as coisas industrializadas são ruins porque as pessoas usam touca."
18/04/2006, explicando por que o café moído em casa, com gotas de suor, é mais gostoso.

"O andar de pedagogia só tem mulher burra. Isso aqui só serve pra usar o banheiro, que tá sempre limpinho."
27/03/2006, precisa explicar?

Wednesday, February 08, 2006

rato bom é rato morto!

Segunda-feira, 16 de janeiro de 2006, 3:32hs da manhã. Uma agitação vinda da cozinha, coisa pouco comum num horário desses, me coloca numa vigília torta. A porta do quarto, fechada, deixa passar vozes, mas não significados. Uma das vozes é a do João, chegado na noite anterior de viagem ao Chile. Tive tempo pra pensar que na verdade a agitação não era uma surpresa completa - uma expedição à cozinha no meio da madrugada não é algo de inesperado para o valete ogro.

Havia outras vozes. Mas só passei a considerar com atenção a gravidade do que quer que pudesse estar acontecendo quando ouvi a voz do Vini dizendo "o Tche mata esse rato". Além da improcedência óbvia de uma afirmação dessas, era de se pensar que só mesmo algo muito grave levaria o Vini até a cozinha numa segunda-feira de madrugada. Algo como um rato.
Mais um ou dois minutos e a Sici abriu a porta. A cena que encontrei na cozinha tinha todos os agravantes bizarros possíveis. Sobre uma cadeira embaixo da porta se revezavam Jomar, Sici e Vini na tentativa de enxergar o rato atrás do fogão. Era difícil saber se tinham mais medo do rato ou nojo de pisar no chão da cozinha, presumivelmente sapateado pelas patinhas do bichão por uma ou duas semanas.

Ah, sim. É bom lembrar que esse bicho burro e sujo foi capaz de enrolar os eficientíssimos mecanismos de defesa da Casa dos Valetes por mais de duas semanas. Nossa ratoeira foi sumariamente ignorada. Todas as tentativas de isolar o ambiente interno da casa foram rapidamente contornadas pelo roedor. Tamanha astúcia do rato quase nos levou a incluir na pauta da Grande Assembléia Geral Constituinte da Casa dos Valetes a possibilidade de conceder o título de valete de estimação ao mesmo. No entanto, a humilhação de ter que recolher os cocozinhos do rato pela casa inteira acabou manchando a honra da ilustre assembléia, que refutou a medida provisória em votação simbólica.

Voltando à cena do imbróglio, tínhamos ali o João tomando a frente das negociações. Em meio ao pavor geral que acometia os moradores, conseguiu explicar que havia desconfiado da presença do rato quando esteve na cozinha para tomar um copo d'água (coisa fácil de se entender pra quem não viu a namorada por três semanas - orgulho!). Ouviu um barulho vindo do fogão, e na hora entendeu que se tratava do tal rato, assunto constante na casa desde o início do fenômeno.

Dado o alarme, nos aninhamos todos em busca de uma solução para o problema. A única solução era a morte do rato, evidentemente. Antes da minha chegada à cozinha, o Valete Ogro já havia tentado assar o rato dentro do forno, além de jogar água fervendo lá para dentro. O rato, meio chamuscado, sobreviveu e estava escondido atrás do fogão, com todas as saídas possíveis fechadas por objetos providenciais, como espelhos e mesas de piquenique. Mas quem é que teria coragem de tirar sumariamente a vida daquele bicho ofegante e assustado? E, principalmente, como fazer isso? As soluções do João eram as mais bizarras e desastradas, além de evidenciar o alto grau de perversidade que dedicava ao pobre animal. Suas sugestões iam desde o derramamento de óleo quente sobre o animal até uma eventual raquetada, dada com a tábua de carne. É claro que nenhuma das sugestões foi levada muito a sério, mas o fato é que ninguém tinha idéia melhor. Até que o João lembrou-se de dar uma facada no rato, com uma faca sem-vergonha que tinha comprado. De mim veio a sugestão de amarramos a faca a um cabo de vassoura com fita adesiva (já que ninguém teria coragem de esfaquear o rato à unha). Enquanto montavamos nossa lança, o rato pareceu perceber o perigo crescente e tentou entrar de volta dentro do fogão. Como não encontrou nenhuma via possível, acabou apoiado na parte de trás do fogão, sobre duas patas. Foi então que o João, com a toda agilidade que esperaríamos de um selvagem em busca de comida, aproximou-se do fogão e acertou o bicho com um só golpe, que quase lhe atravessou os intestinos. Voltou exultante: "furei, furei o bicho!". O rato correu para baixo do fogão e tombou depois de dois ou três segundos de agonia.

Vencida a etapa raticida do problema, tínhamos outra ainda mais desafiadora: a etapa higiênica. Apesar de cansados, ninguém cogitava a possibilidade de deixar a cozinha daquele jeito até a manhã seguinte. Jomar e Vini já tinham se retirado. O Vini não teve nem disposição pra fazer o reconhecimento do rato que havia visto voar no banheiro poucos dias antes, agora morto no meio de uma poça de sangue. Com a mão isolada embaixo de algumas sacolas plásticas, o João recolheu o rato e os restos do seu intestino, espalhados pelo chão e acumulados na faca (numa mistura indigesta com pêlos e sangue) enquanto insistia, orgulhosamente, que sua definição na Comunidade Casa dos Valetes fosse trocada de Valete Ogro para Valete Herói. Derramamos duas embalagens de desinfetante na área e fui dormir às 4:40hs, em tal estado de agitação que não pude pegar no sono até que o despertador tocasse para o ensaio da manhã. No entanto, não me retirei sem antes ouvir uma das frases mais célebres já proferidas na casa, capaz de definir com precisão incontestável a personalidade de um Valete. O João, após terminar todo o procedimento e ainda dentro da cozinha pestilenta, palco do espetáculo nojento que tínhamos presenciado, manda com a maior naturalidade do mundo: "hmmm, tô com uma fome!"

É, João... você vai ser o Valete Ogro pra sempre mesmo!